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Nas últimas décadas, a liderança feminina vem se consolidando em decorrência da luta dos movimentos feministas, em prol da igualdade de direitos para homens e mulheres. As mobilizações constantes representaram uma maior garantia da participação feminina em esferas sociais a que, tradicionalmente, as mulheres não tinham acesso, como na política, no mercado de trabalho e, principalmente, nos cargos de lideranças das organizações. A liderança feminina faz remissão à ocupação de posições estratégicas por elas, seja no mundo corporativo ou à frente de seus próprios empreendimentos. No cenário atual, visando fortalecer a diversidade empresarial, as organizações e as equipes estão prezando pela presença de mulheres e então, acabam investindo na liderança feminina dentro das empresas, visto que, dentre os seus pontos fortes, estão a flexibilização, a colaboração, a criatividade e a inovação. Entretanto, as executivas, as empreendedoras e as gestoras enfrentam desafios diários e constantes, o que influencia diretamente na dificuldade das mulheres talentosas de ocupar posições mais altas nos negócios. Dentre inúmeros desafios que apresenta a governança corporativa, uma pesquisa realizada pela Deloitte Touche Tohmatsu Limited (“DTTL”) com 8 mil empresas de 66 países, indica que apenas 16,9% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres em todo o mundo, o que acaba representando um progresso de 1,9% em relação ao último levantamento feito em 2017. Além disso, as mulheres já representam quase 50% do mercado de trabalho mundial, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Entretanto, ainda são poucas mulheres na liderança, principalmente em países emergentes. As mudanças estão surgindo gradativamente. Nesse viés, segundo uma pesquisa da Grant Thornton, no Brasil, apenas 29% das companhias possuem mulheres em algum posto de chefia, ultrapassando a média global de 24%. Mediante as constatações, é perceptível que em comparação com os anos anteriores, marcado pela presença majoritária masculina, a aparição feminina em posições de liderança tem se tornado cada vez mais efetiva, entretanto, acredita-se que esse avanço ainda vem se dando ainda de forma lenta. Com relação às administradoras de empresas, a quantidade de mulheres é quatro vezes menor que a de homens, conforme apontou a pesquisa realizada pela “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências para Mulheres 2018“, conduzida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) ao constatar que o cenário ainda é preocupante. Constata-se que além das mulheres terem dificuldade em promover a sua inserção profissional, tais precisam enfrentar desafios que não englobam apenas as suas capacidades profissionais, mas sim, questões de personalidade e caráter. A maior dificuldade para uma mulher, dentro das organizações empresariais, é conciliar a sua competência profissional e a credibilidade necessária para o posto que se encontra. Tal desafio se dá em decorrência do fato de que, as mulheres precisam lidar com expectativas culturais e comportamentais que são esperadas pela sociedade, como ser afetuosa, delicada e demonstrar empatia, o que acaba não sendo cobrado para um chefe homem uma vez que se espera, por exemplo, de tal sujeito apenas força e competência. Infelizmente, as mulheres ainda enfrentam dificuldades para atingir cargos de liderança, principalmente quando estão concorrendo com homens. De maneira a fundamentar o exposto anterior, Alessandra dos Santos Moura, diretora de desenvolvimento organizacional da Caliper Brasil, constatou que a preferência por líderes masculinos ainda é uma realidade no mercado. Além disso, a diretora afirmou: “Para chegar em uma posição em que possam concorrer com os homens, as mulheres precisam estar bem melhor qualificadas. (...)” Dentre todas as qualidades que abrangem as mulheres, uma pesquisa realizada pela sede da empresa em Princeton, nos Estados Unidos, mostrou que as mulheres líderes são mais assertivas e persuasivas, tendo uma necessidade mais forte de executar ações, além de estarem mais dispostas a assumir riscos do que os líderes masculinos. Também foram consideradas mais empáticas e flexíveis, bem como mais habilidosas na comunicação interpessoal. Outro desafio que as mulheres enfrentam diariamente é com relação à renda mensal, haja vista que um levantamento realizado pela Catho e que foi publicado em outubro de 2020, constatou que mulheres em posições de liderança ganham 23% menos que os homens, em média. Apesar das vantagens para os negócios, a liderança feminina ainda é alvo de críticas que não encontram justificativa, além de discriminação e outras barreiras que se impõem para as mulheres que decidem assumir uma equipe. Sendo assim, pode-se listar algumas questões que a sociedade precisa superar para que as mulheres alcancem as posições altas e se mantenham nelas, como: -Preconceito: o cenário de discriminação praticado contra a liderança feminina faz com que as mulheres encontram resistência ao almejar cargos estratégicos; -Estilo de liderança: a equipe de trabalho, por preferir regras rígidas e por terem o preconceito de quererem ter como líder um homem, têm dificuldade para ver as gestoras como suas líderes, questionando seu estilo de liderança, desautorizando-as ou até apresentando comportamentos desrespeitosos para desqualificar sua posição como gestoras. -Demandas da vida familiar: o fato das mulheres terem a responsabilidade em cuidar de diversas demandas ao mesmo tempo faz com que tais estejam capacitadas para atuar com flexibilidade e autonomia, a fim de atender às demandas em momentos oportunos; -Autossabotagem: as mulheres, por acumularem diversas funções, acreditam que não são capazes de prestar contas das suas responsabilidades, o que também, acaba sendo um reflexo da pressão social. Sendo assim, para superar esse desafio, são necessários esforços para que elas se enxerguem como lideranças de qualidade e adaptem as metas ao que realmente é possível. Por fim, acredita-se que o índice de liderança das mulheres dentro das empresas tendem a crescer, mas, torna essencial que os membros das empresas tenham a consciência de que esse número ainda é baixo, o que implica na necessidade de criar ações afetivas e proativas para que exista um equilíbrio entre homens e mulheres em posições executivas. Sendo assim, diversas são as ações afirmativas que as organizações podem adotar, a fim de garantir a possibilidade de liderança das mulheres dentro das empresas, como, garantir a participação de mulheres em posição de liderança e em processo de recrutamento e seleção, garantir também, um foro de discussão e a liderança do próprio homem nesse tipo de debate. Além disso, torna essencial a criação de um processo de consciência dentro das organizações para que seja efetiva a percepção do aumento exponencial de mulheres em cargos elevados. ###### Escrito por: Déborah de Souza Lopes